10 de fevereiro de 2011

Fresno - Eu sei ♪

Às vezes fico com saudade,
de momentos que eu ainda não vivi.
Às vezes perco na vontade,
de sentimentos que eu ainda não senti.
Te vejo nas paredes dos hotéis,
eu vivo interpretando papeis.
Às vezes eu não sei mais quem sou,
me deu vontade de voltar.
Pois eu sei, que você quer viver comigo outra vez.
Que você quer viver ao lado meu, até a luz do sol se apagar.
Eu exagero nas palavras,
mas nos meus versos eu só encontro você.
Eu saio só pra te ver.
É só mais um dia de chuva e eu vou pra redenção.
Pois amanhã já vou estar em outro lugar,
muito longe daqui, muito longe de ti.
Pois eu sei, que você quer viver comigo outra vez.
Que você quer viver ao lado meu, até a luz do sol se apagar.
Eu sei (Eu sei que você)
Que você quer viver comigo outra vez (Mais uma vez)
Que você quer viver ao lado meu (É só mais um dia de chuva e eu vou pra redenção)
Até a luz do sol se apagar, ate a luz do sol se apagar.
Enquanto houver ar pra respirar.

Johannes Beeshop e a Síndrome do F5.

Existe uma estrada sob os meus pés. Ela termina toda vez que chego em casa, tarde da noite. O que vejo após a derradeira parada, é o fim desse chão. Se eu prosseguir em minha caminhada, ignorando quaisquer placas de sinalização e advertências verbais de amigos, sou engolido por esse infinito precipício.


E eu não paro.

A queda, até o momento, não parece ruim, embora eu não negue que me incomoda não saber quando me chocarei com o chão. O ar, utilizei todo ele na tentativa de gritar. Ninguém ouve. Não daqui, onde estou. Eu poderia ficar sentado à borda desse penhasco, observando todos os que, caminhando ao meu lado, decidiram encerrar ali suas jornadas. Desobedeço… sempre. E, uma vez sem ar, resta a mim conferir se me calarei com o 
impacto ou por apneia. Ansiedade?

E eu não paro.

E quem tentou me seguir ficou pelo caminho, por medo de um ou outro precipício. “O que é que tem ali?”. Antes de me fazer essa pergunta, já me encontro lá.
Alguém me faz parar de apertar o F5. Alguém nada, TU.
Às vezes acho que me fizeram capaz de sentir demais. E emanar demais o que é sentido, inclusive quando não faz sentido. E isso assusta, afugenta, por chamar atenção demais. Meus pensamentos são como um farol que não consegue se esconder na praia deserta. Ele sempre estará lá, ao alcance dos teus olhos, te impedindo de naufragar em mim. E não há nada capaz de me apagar.

Só queria, por meia-hora que fosse, me ver diluído no horizonte de uma noite qualquer. Uma dessas em que tu vagas por aí sozinha, trocando pernas, balbuciando impropérios ao vento. E ter o que eu sinto invisível aos teus olhos. Por meia-hora que fosse, te fazer me querer sentir na meia-hora seguinte.

Essa intensidade indesejada de sentimentos atribui imenso valor até mesmo ao mais insuspeito dos teus sinais. E isso, às vezes, torna-se tão pesado a ponto me fazer preferir a sensação de ausência de peso inerente à queda à falsa-segurança da terra firme. Meus joelhos doem, guria, e é por essas e outras é que me atrai tanto o ensurdecedor silêncio do vento frio me cortando a pele. Pelo menos, enquanto caio, tenho certeza de que não me ouves.

Quase sempre eu penso que deveria parar de agir assim.

E eu não paro. Me para.